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  • CATIA PAMPLONA

Um bom divórcio é possível?


“O litígio, por sua própria natureza, vive do passado. Um bom acordo olha para o futuro[1]. Essa frase, que que está no capítulo “Tomando decisões no momento mais difícil”, do livro de Diana Poppe, Manual do bom divórcio, sintetiza, com maestria, esses dois caminhos. Sabemos que a vida é feita de escolhas. E a colheita dessas decisões, gostemos ou não, é o resultado com o qual vamos ter que conviver.


Nessa balança colocamos as emoções. Um verdadeiro emaranhado, onde tem um tanto disso, um pouco daquilo, o que pode ser difícil distinguir. “A tristeza se fantasia de raiva”, nas palavras de Maria Teresa Maldonado, psicóloga e escritora. Por isso mesmo, é preciso dar uma parada, “subir à galeria”[2], olhar de longe, sem os holofotes do palco, e nos enxergamos de perto.


Não é tarefa fácil, com certeza. Afinal, a raiva é pura energia, que nos movimenta em direção à revanche, ao litígio. Sabor de vingança que alimenta as entranhas. É a fase da tempestade. O que fazer: ir para o futuro ou ficar no passado?


Difícil imaginar, que as pessoas possam construir um consenso, durante o divórcio, quando estão tão distantes há tanto tempo. Afinal, a deterioração de um relacionamento não acontece de uma hora para outra. Também é um processo, um passo a passo.


“As pessoas que optam, desde o início, a guiar o futuro por suas melhores esperanças e não por seus piores medos, tem mais sucesso em obter cooperação de seus cônjuges"[3].

Essa esperança, da qual nos fala as autoras no livro Divórcio Colaborativo, sinônimo de fé, crença ou expectativa, é aquela que pode trazer benefícios, porque permite que as pessoas reflitam sobre o que elas querem para suas vidas. Poderem separar o velho e deixa-lo para trás, permitindo que o novo ocupe esse espaço. Deixar de remoer mágoas eternas, e abandonar o papel de vítima, liberta-as do passado. Isso é emancipação, é crescimento emocional.


Toda ruptura é uma oportunidade de mudança. Mas, para que isso ocorra é preciso querer, criar condições, mesmo que haja dor. O sofrimento não é necessariamente ruim, depende de como se lida com ele.


Optar por um divórcio colaborativo é uma maneira de fazer essa transição de forma estruturada, atendendo todas as questões que envolvem essa separação. Não basta somente resolver os aspectos legais e financeiros. É necessário abordar, também, o divórcio emocional e psicológico, que ocorrem em tempos diferentes para as pessoas. Geralmente um dos cônjuges assume a dianteira, enquanto o outro ainda está elaborando essa fase de transição.


Melhor do que um bom acordo, é uma solução duradoura. Porém, isso não significa que tudo foi resolvido, mas que as pessoas possam seguir em frente como seus propósitos, sentindo-se melhores consigo mesmas, construindo uma vida que as gratifique.


[1] Poppe, Diana, Manual do bom divórcio, pg. 66 [2] Técnica utilizada na mediação [3] Tesler, Pauline e Thompson, Peggy Divórcio Colaborativo., pg. 63

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